quinta-feira, 9 de maio de 2013

Testes FC e Pressão Arterial em Exercício


Para análise de como a Frequência Cardíaca (FC) a Pressão Arterial Sistólica (PAS) e Pressão Arterial Diastólica (PAD) se comportam em função do exercício, foram utilizados dois protocolos:

Um teste steady-state em esteira, com duração de 10 minutos, com uma coleta em repouso de FC e PA, e durante o exercício, coleta de FC a cada minuto, e de PA a cada 2 minutos. E registro da FC e PA no período de recuperação (correspondente aos instantes 11, 12 e 13).



professor mensurando a pressão arterial do aluno em exercício 




E teste fazendo agachamento, até a falha, sendo realizadas duas séries, com coleta em repouso, no momento da falha e logo após.



PRESSÃO ARTERIAL


Pressão Arterial
                        Q             x          RVP
            (débito cardíaco)       (resistência periférica total)
                 (VS x FC)

A pressão arterial é consequência da força que o sangue exerce contra as paredes das artérias para conseguir circular pelo corpo. Quando o coração se contrai (sístole) para expulsar o sangue de seu interior, a pressão nas artérias atinge o valor máximo (pressão máxima ou sistólica). Quando a musculatura cardíaca relaxa (diástole) para permitir que o sangue volte a encher suas cavidades, a pressão cai para seus valores mínimos: é a pressão mínima ou diastólica. De acordo com os critérios internacionais estabelecidos, os valores de referência desejáveis da pressão arterial estão ao redor de120mmHg x 80mmHg, ou 12cm x 8cm.

Avaliação da Pressão Arterial

 Sistólica               Diastólica            Nível
 130                           85                     Normal
 130-139               85-89                  Normal limítrofe
 140-159               90-99                  Hipertensão leve
 160-179             100-109                Hipertensão moderada
 Acima de 179     Acima de 109     Hipertensão grave e severa
 Acima de 140     Menor que 90     Hipertensão Sistólica Isolada


Pressão arterial e exercício


O exercício físico realizado regularmente provoca importantes adaptações no sistema que vão influenciar no sistema cardiovascular, com o objetivo de manter a homeostasia celular diante das demandas metabólicas. Há aumento no débito cardíaco que como consequência há um aumento da pressão sistólica (redistribuição no fluxo sanguíneo), que acompanha as cargas de trabalho maiores e elevação da perfusão circulatória para os músculos em atividade. A pressão arterial sistólica (PAS) aumenta diretamente na proporção do aumento do débito cardíaco.

Adaptações da Pressão Arterial

- Menor PA para a mesma carga de trabalho;

- Diminuição da PAS e PAD em indivíduos hipertensos; 


FREQUÊNCIA CARDÍACA


A frequência cardíaca (FC) é um dos parâmetros cardiovasculares mais simples e, contudo mais informativos. A determinação da FC envolve a tomada do pulso do paciente, em geral na artéria radial ou na carótida. A frequência cardíaca é um bom indicador da intensidade do exercício. 
Treinamento x Frequência Cardíaca

Durante o exercício, há o aumento do débito cardíaco, da frequência cardíaca e do volume sistólico, numa proporção maior do que a diminuição da resistência vascular periférica. Logo, há o aumento da pressão arterial sistólica e a diastólica permanece a mesma.
Ao longo do tempo de treinamento, há  um efeito adaptativo do sistema (efeito crônico). O indivíduo treinado vai apresentar uma frequência cardíaca de repouso menor com um volume sistólico maior. Em um exercício físico, ao se atingir a frequência cardíaca máxima, essa permanece igual à de um indivíduo sedentário, porém é atingida em um tempo maior do que o mesmo. A frequência cardíaca em repouso é menor no treinado, mas sua frequência cardíaca máxima permanece a mesma.

Medindo a Frequência Cardíaca
A frequência cardíaca pode ser medida por dois métodos: manualmente ou pelo frequencímetro.
  1. Coloque os dedos indicador e médio sobre a parte inferior do punho, abaixo da base do polegar;
  2. Pressione firmemente os dedos planos até sentir o pulso (não usar o polegar para medir o pulso, pois há uma artéria nesse que pode mascarar a pulsação);
  3. Com um relógio conte os batimentos cardíacos por 6 segundos, multiplicando por 10ª quantidade de batimentos. Essa será a frequência  cardíaca de repouso.

  • Contar por 10 segundos e multiplicar por 6.
  • Contar por 15 segundos e multiplicar por 4.
  • Contar por 30 segundos e multiplicar por 2.
  • Contar por um minuto.


Quanto maior o tempo, mais preciso o resultado. O total deve ser sempre referente a um minuto, já que é esse o intervalo de tempo usado como parâmetro. A frequência é expressa em batimentos por minuto.



Alguns fatores podem interferir na medição da FC:

Posição do corpo: deitado ou imerso na água a FC é mais baixa do que em pé.
Temperatura: quanto mais alta a temperatura, mais alta a FC.
Sexo: as mulheres tem a FC geralmente de 5 à 7 bpm mais elevados que os homens com o mesmo condicionamento físico.
Quem fuma ou ingere bebidas com cafeína tem a FC aumentada.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lactacidemia e Limiares de Lactato




O Lactato é o principal metabólito da via da Glicólise não oxidativa (ou anaeróbia), sendo esta via, de grande importância para o metabolismo energético por ter a capacidade de ressintetizar ATP com grande velocidade, sendo então, primordial em situações onde a demanda energética é muito elevada ou em intervalos de tempo curtos, onde o metabolismo aeróbio ainda não esta mobilizado afim de prover aquela demanda energética.

A formação do lactato vem da necessidade da re-oxidação das coenzimas NADH em NAD+, que são fundamentais no catabolismo da glicose a piruvato, para isso, a enzima Lactato Desidrogenase (LDH) utiliza o Piruvato como substrato para essa reação de oxi-redução, formando o Lactato. Ademais, para que o Piruvato seja utilizado no ciclo de Krebs, ele precisa ser transportado para o meio intra mitocondrial através dos MCT (Monocarboxylate Transporter), entretanto em intensidades mais altas de exercício, a produção de piruvato pela glicólise, supera a capacidade destes transportadores de enviar as moléculas de piruvato, é o ponto que chamamos de saturação dos MCT, o excesso de piruvato então, será utilizado na síntese de lactato para gerar energia.


Como podemos ver, o lactato está sempre em produção pelo nosso organismo, em pequena quantidade é verdade, para diversas funções biológicas, os eritrócitos por exemplo, utilizam apenas a glicólise anaeróbia como fonte de energia por não possuírem mitocôndria.Para325 manter esses níveis de lactato estáveis organismo possui mecanismos de utilizar o esqueleto de carbonos do lactato para produzir novas moléculas de glicose, durante o chamado Ciclo de Cori.


Pois bem, então, o que são limiares de lactato?


Simples, vimos que o piruvato, o metabólito central da via glicolítica, tem dois destinos: ser transportado para a mitocôndria e ser utilizado no ciclo de Krebs, ou ser convertido a lactato, e no caso do lactato este pode ser removido para sintetizar mais glicose (chamaremos de Clearence).
Os Limiares de lactato são os pontos em que o aumento na concentração de lactato sanguíneo altera sua taxa, no caso do exercício em carga progressiva, essa taxa aumenta.
Concentração de Lactato x Intensidade do Exercício

O primeiro limiar ocorre devido a saturação dos transportadores MCT, ocorrendo então, um acumulo de piruvato fora da mitocôndria, o que leva esse piruvato a ser convertido a lactato.

O segundo limiar corresponde ao ponto em que a crescente produção de lactato supera a capacidade do organismo de utilizar o lactato no ciclo de cori, o que causa outro aumento na taxa do acúmulo de lactato.
A partir dos limiares de lactato traçados, podemos visualizar zonas de treinamento de acordo com a intensidade.
A zona abaixo do 1 L.L. é denominada Sub aeróbia, entre os 2 limiares, é a zona aeróbia, dividida em extensiva e intensiva, e acima do 2º limiar, zona anaeróbia
O teste
Os limiares de lactato são, como todos parâmetros metabólicos, são exclusivos de cada indivíduo, para uma melhor prescrição de treinamento, é importante conhecer estes pontos para conhecer a faixa de intensidade do treinamento
A avaliação dos limiares de lactato consiste em um teste de esforço progressivo, com coletas de sangue do lóbulo ou da ponta do dedo a cada incremento de carga.
O sangue colhido deve ser colocado em uma fita de análise, que será lida pelo aparelho específico, o lactímetro.
Vantagens:
- é um teste relativamente simples, pode ser feito em diversas modalidades
- barato
- portátil

Desvantagens
- é um teste invasivo, necessita colher sangue
- pode ser substituído pela análise de dados respiratórios (em ergoespirometria)
Coleta de Sangue
Análise no Lactímetro
Utilização dos dados respiratórios do teste máximo para encontrar os limiares de lactato



quarta-feira, 24 de abril de 2013

PRÁTICA DE ERGOESPIROMETRIA

Foco da aula: Realizar o teste de ergoespirometria em um aluno, e medir o seu Vo2 máximo.

A ergoespirometria é um exame de grande aplicação prática tanto para o atleta como para os praticantes de atividade física não competitiva.
O teste ergoespirométrico possibilita determinar variáveis respiratórias, metabólicas e cardiovasculares pela medida das trocas gasosas pulmonares durante o exercício.
O consumo máximo de oxigênio e o limiar anaeróbio são os principais indicadores de aptidão funcional cardiorrespiratória, sendo utilizados na prática para diagnóstico e prognóstico de desempenho esportivo.

Pré requisitos necessários para realizar o teste:

  • no dia do teste, não realizar atividades físicas de intensidade moderada a alta 24h antes do teste
  • noite de sono de no mínimo 8 horas 
  • jejum por 12 horas
  • não consumir álcool, cafeina ou qualquer tipo de medicação, sendo permitido o uso de água mineral .
  • realizar entre 07h30min e 08h30min
  • 20° a 25°, com ruídos controlados e luminosidade baixa
  • 10 minutos de repouso em decúbito dorsal, seguidos de 20 min de captação de gases expirados.
         
aluno em repouso
alguns resultados do aluno 
    aluno em teste
Observando um dos resultados podemos ver que o volume de co2 é maior que o vo, assim mostrando que ele chegou no seu VO2 MÁXIMO. Também com um RER superior a 1,0 mostrando que ele está utilizando PALMITATO.


                                                     


gráfico final, observe o platô no final da curva.

Vo2 máx- O VO2 máx é um índice de capacidade física, ele pode ser determinado pela equação de Fick. Portanto, o VO2 depende do débito cardíaco (Q)  que, depende da  frequência cardíaca e do volume sistólico e da diferença arteriovenosa de O2. Durante o teste de ergoespirometria, observou-se que o VO aumenta proporcionalmente com o aumento da intensidade até alcançar o valor máximo quando o individuo chega ao seu limite (exaustão). O aumento do VO2 ocorre em razão do aumento do metabolismo, devido à maior necessidade energética pelo aumento do esforço muscular. A existência de um platô na curva do VO durante o teste significa que o VO2 máx foi alcançado, assim mesmo com o aumento da intensidade do exercício, o valor de VO2 não aumenta e o valor de QR (quociente respiratório) fica superior a 1,10. Se não ocorrer o platô, o valor máximo é o VO2 pico.

Quociente Respiratório (QR)
É a razão entre o volume de CO2 produzido e o volume de oxigênio consumido (VO2).
QR= VCO2/VO2
Para a realização do teste este índice deve iniciar-se com valores entre 0,7 e 0,8 e aumentar progressivamente com o aumento da intensidade. Os valores de QR próximos de 0,7 indicam um predomínio do metabolismo de gorduras para o fornecimento de energia.
Ex: Palmitato
C16H20O2 + 23O2             16 CO2 + 16 H2O
QR= 16CO2/23O2 = 0,7

Observando a fórmula vemos que o palmitato exige o consumo de 23 moléculas de O2 e gera uma produção de 16 moléculas de CO2.
Os valores de QR próximos e acima de 1,0 indicam um predomínio do metabolismo de carboidratos para o fornecimento de energia.
Ex: Glicose
C6H12O6 + 6O2          6CO2 + 6H2O
QR= 6CO2/6O2 = 1,0
Observando a fórmula vemos que a glicose exige o consumo de 6 moléculas de O2 e gerando a produção de 6 moléculas de CO2. 

                                                   


ERGOESPIROMETRIA

Tradicionalmente, o teste ergométrico, estuda a atividade elétrica do coração e suas repercussões clínicas, aferindo a adequação entre a demanda e a oferta de oxigênio ao miocárdio. Considerando-se que, basicamente, a função do sistema cardiovascular e pulmonar é manter o processo de respiração celular e que uma maneira de se aferir essa função é por meio da análise do consumo de oxigênio (VO2) e do gás carbônico produzido (VCO2), que por sua vez, variam com a intensidade do trabalho realizado, a utilização de um teste de esforço no qual se consiga determinar o consumo de oxigênio e a eliminação de gás carbônico diretamente reflete, em última análise, a integridade desses sistemas, bem como suas adaptações durante a realização de um exercício. Esse teste traz informações a respeito da integridade de todos os sistemas envolvidos com o transporte de gases, ou seja, não envolve apenas os ajustes cardiovasculares e respiratórios, mas, também, neurológicos, humorais e hematológicos. Para a atividade física, seja para iniciantes ou indivíduos com atividade regular, é o teste que discrimina a intensidade de exercício aeróbio a ser prescrita, considerando-se, obviamente, as informações da ergometria tradicional, implícitas no procedimento, associada às informações sobre o mecanismo de transporte de gases envolvidos.


Avalia em três parâmetros:
  • VE
  • CO2 produzido
  • CO2 consumido 
CONSUMO DE OXIGÊNIO (VO2)
  • O oxigênio é a medida objetiva da capacidade do organismo em transportar e utilizar oxigênio para a produção de energia.
  • Aumenta linearmente com o trabalho muscular crescente, sendo considerado máximo quando apresenta uma tendência a se estabilizar com o incremento da carga de exercício.
PRODUÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO (VCO2)
Durante o exercício, expresso em litros por minuto, é gerado a partir de duas fontes:
  • A primeira, CO2 metabólico, é produzido pelo metabolismo oxidativo.
  • Uma segunda fonte, chamada de CO2 não metabólico, resulta do tamponamento do lactato, que ocorre em níveis mais elevados do exercício.
 

VENTILAÇÃO PULMONAR 
É o volume de ar que se move para dentro e para fora dos pulmões, expresso em litros por minuto.
É determinado pelo produto da frequência respiratória e o volume de ar expirado a cada ciclo.
Diferença entre o conteúdo expirado e inspirado.

TAXA DE TROCA RESPIRATÓRIA 

R=VCO2/VO2

GLICOSE  
R= 6 VCO2/6 O2    = 1,0

PALMITATO
R=16CO2/ 23 O2   = 0,7

MET
  • Equivalente ao consumo de oxigênio em repouso
1 MET= 3,5ml.kg.min-1 
1 MET= 1,25 kcal 
3,5ml.kg.min-1 = 1,25 kcal 

CRITÉRIOS DE VO2 MÁX
  • teste máximo
  • frequência cardíaca (220-idade)
  • RER>1.0 RER> 1.15 (atletas)
  •  platô
  • fadiga voluntária
  • percepção esforço- BORG
  • pico ou platô


AVALIAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA

FUNÇÕES DO SISTEMA CARDIOVASCULAR E PULMONAR: 
  • Manter o processo de respiração celular;
  • Análise de consumo de oxigênio (VO2) e do gás carbônico;
  • Teste de esforço no qual se consiga determinar o consumo de oxigênio e a eliminação de gás carbônico diretamente; 





- VO2: capacidade de captar e transportar e utilizar oxigênio;

- VO2 PICO: consumo máximo de oxigênio atingindo no teste de esforço sem apresentação de plato;
- VO2 MÁXIMO: maior volume de oxigênio por unidade de tempo que um individuo consegue captar respirando ar atmosférico durante o exercício; Alcançado quando se atinge níveis máximos de débito cardíaco  e de extração periférico de oxigênio; Não se conseguindo ultrapassá-lo com maior carga de trabalho muscular 

Duas hipóteses para limitação de VO2 máx: 
- Limitação central: dependente do débito cardíaco máx (Q máx) e do conteúdo de oxigênio de sangue arterial.
- Limitação periférica: expressa pela diferença arteriovenosa de oxigênio e pelo metabolismo tecidual.